A Hora do Trabuco.

Quem Foi?

O Grande Jornalista Vicente Leporace

vicente-leporace2

 

VICENTE LEPORACE

 

POR ONDE ANDA ?

Saudades…
Vicente Leporace faleceu no dia 16 de abril de 1978, de edema pulmonar, aos 66 anos, em São Paulo. ( malditos cigarros…)
BREVE HISTÓRICO:
 Natural de Franca, interior paulista, nasceu no dia 26 de janeiro de 1912.
Participou da Revolução Constitucionalista de 1932.

Começou sua carreira artística em 1941, na Rádio Clube Hertz de Franca. Depois passou pelas Rádios Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro; Cruzeiro do Sul (SP); Record (SP) e Bandeirantes (SP), onde permaneceu por décadas.

Com Blota Júnior, à esquerda.

Com Blota Júnior, à esquerda.

Também foi ator. Estreou no cinema em 1949 no filme “Luar do Sertão” e participou de muitos outros, como: “Sai da Frente (1952) e “Carnaval em Lá Maior” (1955).

Após essa passagem pelo cinema, resolveu dedicar-se somente ao Rádio. Seu famoso programa era o tradicional “O Trabuco”, que foi ao ar pela primeira vez em 1951, permanecendo por quase 30 anos, sempre comentando os fatos políticos do dia.

Foi também apresentador do programa “Gincana Kibon”, ao lado de Clarice Amaral, na TV Record (anos 60). Programa que divulgava apresentações de crianças que freqüentavam escolinhas de Ballet, Conservatórios, etc. Não podemos esquecer que o “Gincana Kibon” sempre sorteava um aniversariante para comemorar a data com bolo gelado da Kibon, durante o programa que era sempre apresentado “ao vivo” e tinha boa audiência na época.

Leporace também mantinha coluna em diversos jornais de São Paulo.

 

h0067m1

 

A Rádio Atlântica de Santos-SP, no dia 3 de setembro de 1937, inaugurou o seu Teatro de Antena sob a direção de Armando Rosas, com a peça de Luiz Iglesias Onde Estás, Felicidade?, apresentando no seu elenco um jovem radioator, vindo da PRB-5 Rádio Clube Hertz de Franca, interior de São Paulo, que anos mais tarde se tornaria um dos mais discutidos profissionais do rádio brasileiro: Vicente Leporace.

Leporace fez de tudo no rádio: foi redator, locutor, programador, discotecário, radioator, apresentador de televisão (Gincana Kibon com Clarice Amaral – Canal 7 – SP), ator de cinema e televisão, passando por diversos prefixos tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, sempre com muito sucesso e profissionalismo.

No dia 1º de abril de 1951, além de suas funções habituais (era o discotecário-chefe), Vicente Leporace lançou pela PRB-9 Rádio Record de São Paulo o Jornal da Manhã, um informativo de meia hora que ele mesmo produzia e apresentava.

Onze anos mais tarde, resolveu, por questões salariais, transferir-se para a Rádio Bandeirantes PRH-9, onde, em 1962, lançou o Trabuco, um informativo matinal que consistia na leitura diária das notícias veiculadas nos principais periódicos do país, seguidas de comentários e críticas sobre elas… Acima de qualquer traçado comparativo, quando Vicente Leporace empunhava o seu Trabuco, justificava qualquer comentário que exaltasse o seu trabalho e a sinceridade dos seus propósitos…

Leporace fazia questão de deixar bem claro que assumia a inteira responsabilidade pelos conceitos e críticas que fazia, sempre mordazes, contundentes e temidas, transformando-se num autêntico defensor dos menos favorecidos, que tinham no radialista um bravo, um lutador obstinado por um Brasil melhor, principalmente no aspecto político, social e econômico.

Quando indagado por que Trabuco, tinha prazer em esclarecer de que não se tratava apenas da alusão a uma arma de ataque e defea, como também a uma corruptela nascida na Calábria, terra de seus pais, que, estando dominada por tropas invasoras, seus habitantes ao trocarem informações utilizavam-se do método de boca a boca, originando o neologismo trabuque, entre boca, ou o que não podia ser dito em voz alta…

Durante o regime militar (Revolução de 1964), Leporace, por diversas vezes, apresentou o Trabuco de peito aberto, sob a mira de um fuzil ou metralhadora, que não foram suficientes para intimidá-lo ou para provocar uma mudança no seu comportamento sempre contundente, irônico e sequioso da verdade.

Leporace foi hóspede quase permanente da Delegacia de Ordem Política e Social que, em nome da censura, o mantinha constantemente em seus famigerados porões.

Vicente Leporace, pela sua coragem e desprendimento, tem assegurado um lugar de honra entre as personalidades radiofônicas do nosso País. O Trabuco refletiu todo o seu patriotismo e o seu amor à causa pública, que sempre defendeu dentro dos princípios morais e éticos. Durante dezesseis anos seguidos, sua voz foi ouvida pelas ondas da PRH-9 Rádio Bandeirantes de São Paulo, mantendo-se em atividade até o seu falecimento, ocorrido no dia 16 de abril de 1978, aos 66 anos de idade.     

vicente_leporace

Vicente Leporace desapareceu sem concretizar um dos grandes anseios de sua vida: o de editar em Santo Amaro-SP um jornal diário que chegou a ser constituído e registrado como O Trabuco, mas que nunca chegou às bancas…

 

70111_1                                 arm06d1

 

 

Anúncios

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: